25 Setembro 2007

Luciano Pavarotti

É tempo de prestar homenagem mais do que devida à figura de Pavarotti, quer pela sua voz, quer pela generosidade com que ao longo da vida abraçou as mais diversas causas, como a dos refugiados, ou da Cruz Vermelha.
Nascido em Modena a 12 de Outubro de 1935, onde viria a morrer em 6 de Setembro de 2007, Pavarotti era filho de um talhante, e a sua primeira grande ambição, em termos profissionais, foi a de se tornar futebolista.
Ninguém saberá ao certo, quais poderiam ter sido as potencialidades desportivas do grande Tenor; felizmente, contudo, não se perdeu uma grande voz.
Pavarotti começou a sua carreira em 1961, após sete anos de treino intensíssimo, sem dúvida, mas para a voz.
Em pouco tempo, a sua voz extravasava as fronteiras da Itália, e da própria Europa.
O seu último espectáculo, ou se preferirmos, a sua última aparição pública, deu-se nos Jogos Olímpicos de Verão de 2006, em Turim.
Desaparece, pois, uma das vozes líricas mais populares do Séc. XX.

28 Julho 2007

Linguagem com Fronteiras

Quem terá inventado a patranha de que a Música não tem Fronteiras?
Quem ouve Bach, não o confunde com Corelli, mas tem de reconhecer que está tão mais próximo de Telleman, quanto Corelli de Manfredini.
Porque Bach e Telleman são Austro-Húngaros, enquanto os outros são Italianos!
Aliás, não é por acaso que em certa época da História da Música, durante o Romantismo oitocentista, se expandiram por toda a Europa, Escolas Nacionalistas, de onde sairiam compositores dos mais admirados (e admiráveis) até hoje, desde Chopin, passando por Falla ou Mussorgsky, até Bartok ou Lopes Graça.
Não tenhamos dúvidas de que, se exceptuarmos as Obras criadas com a genialidade das Óperas Italianas de Mozart, uma Obra que não demarque com clareza, culturalmente, a que limites pertence, está condenada à partida a diluir-se.

23 Julho 2007

História do Sintetizador - 3

Falaremos desta feita de um relojoeiro chamdo Laurens Hammond.
Afinal foi ele o criador do célebre Órgão Hammond, o qual se celebrizou até hoje, por incrível que pareça.
Na altura da sua criação, se algum teclado existia para além do Piano Acústico, era o Órgão Hammond, fosse no Rock, no Gospel, ou numa série de estilos demonstrativos de uma extrema versatilidade, que o levavam a ir do Jazz à Música Erudita, passando pelo Techno.
O Órgão Hammond foi o mais directo herdeiro do Telharmonium, do qual já falámos anteriormente, já que Hammond, além de relojoeiro era formado em engenharia mecânica, tendo utilizado os mesmos princípios para a construção deste instrumento electrónico, com desvantagens face aos anteriores, é certo, mas também com enormes trunfos.
Não dispondo de sonoridades como as do Saxofone ou as Cordas, era o primeiro Instrumento Musical Electrónico Polifónico; ou seja: permitia aos músicos darem várias notas em simultâneo.
Por outro lado, representou uma fase embrionária da miniaturização, se atendermos a que o seu antepassado, (o Telharmonium), pesava 200 Toneladas, enquanto o Órgão Hammond era tão transportável, que não excedia os 140kg de peso.

20 Julho 2007

Música: Intemporal?

É velho o "cliché" de que a boa Música é Intemporal.
Em primeiro lugar, já vimos o quão subjectivo pode ser falar de "boa Música"; quanto à sua intemporalidade...
Reconheçamos que as Obras de Bach ou Mozart, (entre outros), são de tal forma intemporais, que são utilizadas para filmes publicitários televisivos, não havendo eu escapado, na minha juventude, de me roçar com uma ou outra dama que, fascinada pelo "slow" que ouvia, ignorava ser de Beethoven.
Mas o que levou essa Música a sobreviver até ao presente, tornando-a efectivamente intemporal?
O mesmíssimo factor que intemporalizou a Música dos "Beatles", ou mais recentemente, "Génesis".
O que torna uma Obra intemporal, é a capacidade que o seu Autor tem de ser moderno, (sem precisar de ser inovador, obrigatóriamente), vivendo o seu tempo, assumindo o seu tempo, e criando para o seu tempo!
Por mais paradoxal que tal possa parecer, quem cria com o objectivo da intemporalidade, por melhor que o faça, terá vida extremamente breve, enquanto aquele que cria para o seu próprio tempo, desde que o faça bem, terá a intemporalidade assegurada, ainda que não tenha tal pretensão, ou o mínimo desejo.
Intemporal, é a Música que reflecte o tempo em que foi escrita.

15 Julho 2007

Acerca da Boa Música

Há quem fale da "boa Música", ou da "Música bem construída" aliada a "inspiração", "genealidade", "originalidade", "universalidade", e "intemporalidade".
É possível que quem diga tais coisas o faça cheio de boas intenções, mas "de bem intencionados, está o Inferno cheio", e para ouvir asneiras infernais, não é preciso saír da Terra!
Fala-se do Belo Musical.
O que é o Belo Musical, partindo do princípio que aquilo que eu posso achar belo, pode levar outra pessoa a fugir horrorizadamente a sete pés?
Pode-se falar do Belo, ( na Música, ou no que quer que seja), como factor objectivo?
É evidente que não!!
Quando muito, em termos academicistas, ( e só neste campo), podemos falar de Música "bem " ou "mal construída".
Mas a Música "bem construída" de acordo com os Processos da 2ª Escola de Viena, no Séc. XIX-XX, a ser criada por Mozart, impedi-lo-ia de se aproximar até ao fim da vida a menos de 500km de qualquer Instrumento Musical.
Quanto a ser usada uma tal estrutura na Renascença, levaria imediatamente os Autores e as Obras para a Fogueira, antes da conclusão do segundo Compasso, na melhor das hipóteses.
Temos uma noção de "boa música", portanto, decorrente de uma Sociedade voltada para o consumismo, porquanto não é possível quantificar a qualidade

04 Julho 2007

História do Sintetizador - 2

Em 1922, o Engenheiro e Músico Francês Maurice Martenot patenteava as Ondas Martenot, Instrumento Musical Electrónico cuja produção só seria concluída 6 anos após.
O Instrumento, só produzia uma nota de cada vez, permitindo ao Músico utilizar uma mão para tocar ao longo de um teclado vastíssimo, (7 oitavas!), enquanto com a outra controlava o timbre e a amplificação.
O teclado era ligado, através - sucessivamente - de osciladores, um misturador, e amplificador, a um potente altifalante.
A Década de 40 do Séc. XX, marca a Idade de Ouro das Ondas Martenot, havendo vários Compositores a dedicar a este Instrumento Partituras próprias, como a Sinfonia Turangalila, de Olivier Messiaen ou o Concerto escrito em 1948 por André Jolivet.
Apesar das espectativas criadas em torno de Instrumento tão inovador, na realidade, nunca viria a conquistar lugar próprio junto da Orquestra Sinfónica, acabando por se tornar obsoleto.

28 Junho 2007

História do Sintetizador - 1

Há quem associe o nascimento do Sintetizador aos anos 70 do Séc. XX, embora a sua história seja bem mais remota.
Logo no princípio do Século, com o despontar de Debussy, Stravinsky, e os primeiros passos do Jazz, inventaria o Americano Thaddeus Cahill, o Telharmonium.
O Telharmonium era um Instrumento Electrónico de proporções mastodônticas, produzindo um tal barulho que tinha de ficar no subsolo, mas onde o seu inventor pretendia guardar o melhor do som de todos os Instrumentos Acústicos.
O método era instalar o Instrumento num local central, de onde pudesse emitir Música para os grande Restaurantes para onde ia a multidão após os espectáculos da Brodway, (que ficava ali perto), por via telefónica, utilizando as infraestruturas pré-existentes para o efeito. (Uma espécie de protótipo para o que viria a ser a TV-Cabo.)
Embora não hajam registos fonográficos de tal Instrumento, sabe-se que Puccini terá assistido a uma demonstração.
Outros dois Compositores não terão ficado insensíveis à novidade, já que Busoni escreveu sobre as possibilidades de outros sistemas de afinação de escalas ao serviço do Compositor, enquanto Varése, seguindo as referências do seu ilustre colega, chegou a ouvir a Música do Instrumento, já no fim da época do seu funcionamento.